PRÉVIA DE RATO, LUÍS CAPUCHO

15:33


RATO (RESENHA)



Rato foi publicado em 2007 e é do capixaba Luís Capucho. A obra e narra o cotidiano de um personagem homossexual que não ignora seus desejos, mas que age de forma incubada – o livro em si concretiza a vida de alguns gays que vivem intensamente na encolha.  O narrador-protagonista se vê como um rato, por viver pelos becos como esse roedor.
A forma de escrita do autor nesse livro foge dos padrões tradicionais: o vocabulário não é rebuscado, o narrador-personagem muitas vezes se expõe de forma pejorativa, fala palavrão.
A história acontece no RJ, numa residência coletiva que Rato lhe dá o apelido de "Cabeça-de-Porco". Em Rato, exceto o personagem principal, todos os outros são nomeados e possuem particularidades que desembocam no sujeito central. Até a morada coletiva é compreendida como personagem da trama, pois o local sempre é exposto como um ser de vida própria e grafada com letra maiúscula, Cabeça-de-Porco – sendo assim um substantivo próprio.
O livro, apesar de pós-moderno, possui muitas características naturalistas: o ser humano tem atitudes animalescas, as coletividades são descritas, as taras, fantasias, vícios e patologias dos personagens são vistos como resultados daquele contexto que subsistem – e os mesmos se deixam render pela fúria ou o afronto.
Como Capucho faz uso de um narrador-personagem em sua obra, este é elemento chave para a descrição dos vários ambientes que se passam a narrativa, porém o autor não se insinua de forma linear e ainda perpassa ambientes do enredo sem se prender a um estilo literário ou obedecer sequência.
Rato, o narrador-protagonista, pelo caminhar do enredo vive um relacionamento efêmero com um dos inquilinos da Cabeça-de-Porco, Plínio. Este, inclusive, se dá muito bem com a mãe do personagem. Todavia, nosso Rato é pervertido e precisa da masculinidade de outros homens para poder viver, como se fosse uma “sanguessuga da masculinidade alheia”. Plínio é o romântico da relação, enquanto, o narrador-personagem enjoa fácil de seus companheiros; mas mesmo na efemeridade viveram de forma visceral: faziam o uso de maconha e transavam em qualquer lugar sem a preocupação com higiene ou com medo serem descobertos.
O fim da história se dá com o fim do romance e o fim da Cabeça-de-Porco...  Assim, as vidas dos personagens tomam outro rumo.
Rato de Luís Capucho chega ser um livro de denúncia social, pois nos mostra o meio gay que se esconde dos olhos da heteronormatividade: insegurança, homofobia, descaso da polícia perante aos sujeitos homossexuais, desejo reprimido. Rato é a realidade do homem enrustido que sente desejo por outro homem.


P.S.: Essa resenha é uma prévia de um artigo meu sobre o referido livro que logo será publicado.

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