O HOMOEROTISMO NA LITERATURA BRASILEIRA

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Sabe-se que a literatura solidifica as marcas de um determinado tempo – assim, pode-se concluir que ela pode nos expor os aspectos pertinentes a sexualidade de um indivíduo que pertenceu a um outro contexto.
A homossexualidade perpassa o tempo desde os tempos da antiga Grécia, inclusive em manifestações artísticas. Até mesmo em épocas de censura, os relacionamentos homoeróticos estiveram presentes em manifestações literárias.
Homossexualidade é o que caracteriza a inclinação da sexualidade de um sujeito, sendo diferente de homoerotismo. Esse segundo seria uma gama de práticas político-sociais, individuais ou coletivas, que trazem à tona muitas formas de relacionamento erótico entre pessoas do mesmo sexo.
Numa perspectiva de literatura brasileira o homoerotismo, masculino ou feminino, ainda não conquistou o merecido espaço na crítica e na teoria literária. No entanto, nota-se que com o aumento de movimentos gays no século XXI, os discursos voltados para a homossexualidade em movimentações artísticas têm dado subsídios para que alguns sujeitos pensem criticamente sobre a presença homoerótica em obras literárias.
Outra coisa que se deve destacar, antes de qualquer coisa, é que livros de cunho homoerótico não são feitos para leitores gays apenas e que a literatura gay, geralmente tem caráter comercial e\ou carregada duma ideologia política– o que a difere de literatura homoerótica, que se dá de forma subjetiva, menos politizada e se preocupa mais com a estrutura estética do texto. No entanto, o homoerotismo abarca esses dois tipos de literatura.
Inúmeros autores brasileiros abordaram esse tema em suas publicações literárias, tais como: Raul Pompéia (1888), Adolfo Caminha (1895), Ferreira Leal (1885), Junqueira Freire (1855), Machado de Assis (1906), Guimarães Rosa (1956), João Silvério Trevisan (1986), Caio Fernando Abreu (1982), Silviano Santiago (1985)... No Ensino Médio obras e autores são vistos apenas como pertencentes duma escola literária e os aspectos homoeróticos que caracterizam os livros, muitas vezes, são ignorados.
Para alguns estudiosos o homoerotismo brasileiro teve seu advento no século XIX com o romance Um homem gasto (1885), carioca Ferreira Leal. No entanto, os intelectuais de nossa época vêem Bom-Crioulo (1895), de Adolfo Caminha, como a narrativa que inicia a literatura de cunho homoerótico no Brasil. Há ainda quem diga que O menino da Gouveia (1914), de Capadócio Maluco, foi a primeira publicação desse tipo em terras tupiniquins.
Apesar de grandes nomes terem escrito livros abordando o homoerotismo, no Brasil, a crítica fez questão desperceber essa estruturação por bastante tempo. Mas vale ressaltar que esse tipo de literatura, tratando-se de Brasil, tende a ter características textuais, estéticas e históricas que chegam a particularizar o “cânone gay brasileiro” – expressão usada pelo intelectual, escritor e pesquisador desse assunto, Antônio de Pádua Dias da Silva.




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