CRÔNICA MATEENSE (TALVEZ REALIDADE BRASILEIRA)

21:07

Reflexões sobre a vida moderna...


Durante minhas noites semanais passo quase duas horas dentro duma academia. Nos meus fins de semana ou eu vou a um show em outro município, leio algum livro ou dou conta de alguma coisa do meu serviço.
 A noite mateense é fraca, nada alternativa e cheia de gente velha que se acha adolescente, retardados que pararam no tempo. Raros os seres humanos da minha faixa etária com bom senso, gosto musical apurado ou intelecto refinado. Não tenho nada contra aos vegetais que estagnaram nos 16 anos, mas eu acho insuportáveis os mesmos discursos, as mesmas fofocas e preocupações fúteis.
 Eu não saio de casa pra marcar bobeira. Eu não danço swingueira, arrocha, funk ou qualquer diabo desses, também não consigo digerir os hits pops que os "alternativos" daqui, os jovens velhos classudos, gostam. E o léxico linguístico usadas dessa gente é sem noção. Eu não vou perder o meu time com gente que acha que tem problema, mas no final do mês banca as futilidades com o dinheirinho do papai e da mamãe.
 Okay, gente, eu me tornei um tio velho! E sério, o problema não é com esses retardados – pessoal de 2009 que faz questão de perdurar a mesma problemática – o DEFEITO É MEU! Sério, eu pensei em me trancar, ler e escrever que nem louco... Já que eu não gosto de cinema, comida japonesa ou pub. Mas sair pra curtir um som em outro canto, bater cabeça com galera undergroud bem diferente do meu mundo tem sido uma saída. Pois, os meus "amigos de infância" ou casaram, ou engordaram, ou tiveram filho. Coisas que eu não quero pra minha vida, infelizmente, esses ficarão guardados do lado direto do peito... 
Paquerar por aqui? Nem pensar! A galera de 40 anos ficou mais porra-louca que eu e sem juízo nenhum. Posso ser antagônico, radical e extremista! Porém, não sou um desesperado. Sou autista por opção e acho lindo. Essa galera solteira daqui é muito desinteressante. 
Patricinhas, playboys e “rocks” sertanejos estão fora de cogitação... Assim como amores eternos provindos de olhares de gente que eu nem conheço. Sobre o único lugar que toca MPB por essas bandas, eu já sei o repertório de cor e salteado... Está mais fácil eu pedir um misto quente e encher minha barriguinha assistindo a um filme. Eu queria um lugar alternativo, trash e com gente bizarra; contudo, as pessoas aqui querem ser bonitas e falar errado. Pra mim não dá... Não que eu seja melhor que ninguém, eu já disse que sou o defeituoso da história. E eu faço questão de sustentar minhas peculiaridades.
 Eu gosto de ir à praia, mas quem poderia ir à praia comigo, prefere ficar aqui no mar de gente do Facebook; vigiando a vida alheia. Grande Mãe, Sangue do Cordeiro, Jah... Onde tem gente interessante aqui? Ou eu sou desinteressante de forma demasiada? Ou eu tô ficando chato pra caramba, ou todo mundo virou vegetal atrás de tablets, iPhones, smartphones, celulares e computadores... Eu não vejo um ser vivo lendo um livro no ônibus, nenhuma revistinha do João Bidu... 
Parei no tempo ou quero voltar no tempo? Eis a minha incessante reflexão. Talvez eu precise casar, né?! Mas casamentos nunca estiveram nos meus planos, num contexto efêmero desse então... E essas redes sociais sem noção? Ou é gente meio vestida, meio nua para todo lado; ou gente ostentando comida... E ainda existem aqueles que parecem estar em 2006, quando fazem biquinho que era o hit do verão daquele tempo... Sem falar na massa politizada que discute sobre a redução da maioridade penal, o governo PT, (trans) sexualidade, Cristiano Araújo que partiu dessa para melhor (ou pior, não sei e nem quero saber)...
 No entanto, essa esmagadora maioria só fala bonito no status do Facebook... Porque quando passam pela gente, não presta nem para dar um "oi" descente e sustentar um diálogo. A realidade: pessoas interessantes de verdade não existem mais. Ou aquilo que deveria ser interessante ficou chato demais.

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