A PRAIA

11:17

Como venta tanto aqui,
Ainda ouço o canto de sereias lascivas
Essa lua negra sendo engolida por esse mar,
Minha bela e imensa lagoa d' água
Tão salgada e tão perfeita
Minha vida entorpecida levada ao oceano
Sinto cada poro da minha pele emanando energia ruim
Vamos fazer uma roda
E celebrar a natureza à nossa maneira
As ondinas nos guardarão para toda uma eternidade
Todos os nossos sentidos biológicos prontos
Todos os nossos sentidos bem aguçados
E a areia acariciando nossos pés,
Vai aterrando nossas tristezas
Não quero voltar para casa agora,
Não quero voltar minhas desilusões
Eu estarei ereto quando o meu livro estiver totalmente pronto
Aquelas vibrações marítimas envolvendo a minh'alma amena
Levando minhas decepções para longe,
Para o outro lado do mundo
Os pequenos siris olham,
Depois correm assustados conosco
Somos acolhidos por esse Éden vivo
Belo, escuro e repleto de angústias
Tritão, ouço a sua grave voz me chamando,
Desejando meu corpo, desejando o meu sangue
Estou aqui Senhor dos mares para lhe servir,
Faça o que tu queres!
Oh escuridão!
Tende piedade desse coração que agoniza
Não vou parar de rir nunca mais,
Meu anjo aquático lindo
As águas esverdeadas ficam negras ao sugar minha dor
Aqui os melhores não ouvem o murmurio daqueles fracassados
Sinto um leve gosto do sal em meus lábios
Mas preciso de água,
Porque minha boca está seca
Dando voz às entidades baixas que fingem querer me salvar
Tentando trazer a tal paz
Nesse eterno ir e vir das ondas
Em uma longa noite escura de Outono
Nessa praia fria...
Ah! Essa praia!

Ps.: Escrito em 2011 e da minha coletânea de poemas miseráveis: 69 Poemas Póstumos a Você.

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