Resenha: Caramuru (filme e epopeia)

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CARAMURU, A Invenção do Brasil (2001).  Direção: Guel Arraes com Selton Melo, Camila Pitanga, Débora Secco, Tonico Pereira, Débora Bloch.

CARAMURU. Frei de Santa Rita Durão (1781).

Sabe-se que Caramuru é um poema épico, onde é narrado o Descobrimento da Bahia, cujo autor foi o Padre Santa Rita Durão, talvez por esse motivo, observa-se a presença religiosa em seu texto – que também fica exposta no filme.
O filme é uma narrativa da vida e as aventuras de Diogo Álvares Correia, um português vítima de um naufrágio no litoral baiano, por volta do século XVI. Diogo e seus companheiros foram acolhidos por uma aldeia de índios tupinambás. Ele passa a ser adorado pelos nativos por possuir uma arma de fogo – instrumento que fugia o contexto deles naquela época. Por causa do barulho feito pelo disparo da arma, o português é “apelidado” de Caramuru, que significa filho do trovão.
Diogo se encanta com as duas filhas do Cacique que o acolheu. Contudo, o moço é cristão. Ele não poderia manter um relacionamento incestuoso com as duas irmãs. Uma teria que ser esposa e outra amante, vê ai uma crítica à “vida santa” valorizada pela corte europeia daquele momento.
Caramuru volta à Europa, juntamente de uma das índias que chega a nado ao navio. A nativa no contexto europeu é batizada com um novo nome e se casa com Diogo sob as leis cristãs da igreja católica romana. Ele descreve a flora e fauna brasileira à corte que acaba por ambicionar a catequese dos índios. Por fim o casal volta às terras brasileiras e Diogo prefere se tornar o rei da aldeia tupinambá a levar uma vida pautada na falsa moral imposta pelos europeus.
As marcas árcades são vistas claramente no filme quando o homem branco europeu abandona a corte e suas pompas para viver exaltando a natureza e as coisas simplórias.  Ou quando indígena que antes era canibal passa a ser visto como um bom selvagem. Observa-se, concomitante a essas características, que de uma maneira cômica são feitas críticas à burguesia europeia e aos preceitos pautados pelo clero.  Tanto no longa-metragem quanto na epopeia de Santa Rita, nota-se uma apreciação da história colonial.
O filme é uma verdadeira piada. Todavia, entretém o telespectador e o fomenta a conhecer os primórdios da história do Brasil, as navegações daquela época e a diversidade cultural que já permeava aquele contexto.



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