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DAR A LUZ A UM BEBÊ MORTO

Quando a felicidade se torna a tristeza
Um imenso vazio e a presença do volume
Morfologia, o que houve com o cérebro dele?
E eu que via a vida como uma droga bonita
Uma feição amena escondendo o pranto
Karma, talvez dharma e evolução espiritual.
O coração não bate e o feto não chuta
Oh, mais trinta dias com ele no ventre?
A minha alma chorou por sua perda
Calma, ele agora é um ser perfeito.
E ainda brigam com Deus todos os dias
Na ultrassonografia a ausência do movimento
Dê-me a mão, o Universo está ao seu lado.
Papai, sapatinhos costurados com linha e dor
Mamãe lavou as roupinhas com lágrimas
Má formação cromossômica e biotecnologia
Enxuguei as minhas mãos cheias de sangue
Sufrágio, depressão, fé e amor maternal.
Toda uma situação trazendo um propósito
Sou um poeta morto e a criança nascerá morta
Meu caos é belo se comparado à sua perca
E a sua história me comoveu, me emocionou.
Contrações à espera de um falecido
E a revolta daquela família inteira
O seu pouco tempo iluminou caminhos sem vida
Pois então, esse é nosso presente de Natal.
Os Antigos diziam que a esperança morre por último
No entanto, a esperança é um sentimento apenas.
E os sentimentos são imortais
Abstraia a esperança ou sofrerá para sempre
E os seres iluminados não comungam de aflição
Como faço para confortar o seu coração?
E te oferecer forças para continuar nessa jornada
Dar a luz a um menino morto
Abrindo portas para uma nova vida.




PS.: Poema feito para pessoas que nunca conheci.

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