Crônica Eletrônica

23:31



Max resolveu que queria rodar o mundo e não queria ser apenas mais um em um milhão. Estudou teoria da música eletrônica, foi morar no centro de São Paulo para tentar a sorte como DJ.

Alugou um "loft" na Augusta, conseguiu um trampo em um boteco descolado pra cacete. Lá havia de tudo: atores, designers, malabares, críticos de moda, escritores, músicos e dragqueens. Era uma zona alternativa! No balcão do bar conheceu Leco, integrante de um Electro Project’s desconhecido, que prometeu ao jovem Max uma performance como DJ assim que o seu projeto se apresentasse. Entretanto, o novo amigo desaparece.

O rapaz nem dormia mais ao descobrir a verdadeira face de Leco: um jovem músico de um projetinho ferrado, um cara frustrado que tinha um myspace que ninguém acessava e com quase nenhum download efetuado em sua página. Deprimente.

O sonhador acaba conhecendo Marly, uma coroa que só fumava Malboro Prata. A cansada cocota se interessa por ele. A perua tinha bons contatos na noite e prevendo um futuro em sua carreira, Max encarou a velha caipora. Juntos há três meses, numa noite qualquer Marly liga para seu amigo Jeffree, dono da Hell – melhor boate indie do underground paulista. A senhora conta ao amigo a situação e as influências de seu companheiro: “Vamos fazer uma breve discotecagem aqui na próxima sexta. Traga-me o seu novo namoradinho.” Foi feito convite pelo anfitrião!

Jeffree fica encantado ao ver Max, esquece Marly e os dois somem no escuro da boate: dançam, bebem, fumam. Jeffree quer Max, todavia o DJ amador quer discotecar. E começa a chover cantadas descaradas. A chuva cai em todos os cantos do estabelecimento. Chateado, Max deixa bem claro que não tem nada contra gays e que não curte esse “roque”. Jeffree soltando fumaça pelas ventas, expulsa Marly e o garoto de sua casa de shows. A velha não entendeu nada e o seu boyzinho não disse o que aconteceu.

O pobre Max ficou arrasado. Bebia muito, todos os dias e já fumava bem mais que a sua namorada. Ele perde seu emprego no barzinho de gente moderna e descontraída. Fica sem dinheiro para pagar o seu aluguel e almejava viver nos 80’s. Desempregado, cheio de dívidas e, ansioso, comia sem parar. Engordou 90 kg em menos de oito meses. Marly o sustentava financeiramente. Entrara numa deprê. Fez um misto de diversos remédios: Rivotril, Dizepam, Valiun, Beflogin e Respiridona. Tomou tudo com altas doses de Vodka, deixando um bilhetinho de despedida: “Marly, minha querida não chore. Quem sabe o Senhor não receberá em sufrágio a minha alma? As suas lágrimas serão o sangue do meu coração.” O pseudo DJ morre vítima do excesso de drogas quem vêm com bula.


Ps.: Crônica escrita no ano de 2010, em homenagem aos artistas que morreram tentando conquistar a fama. Contudo, minha influência maior veio de "Estrela de Um Céu Nublado" - Jay Vaquer ft. Megh Stock.

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