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Fim de semana tedioso, não é novidade numa cidade de interior do Espírito Santo. Quase morro.Nem sei se é essa tristeza que me engole ou se é o tédio. Ficar em casa aturando meus pais nunca foi muito bom. Para evitar conflitos leio, faço alguma atividade da faculdade, brinco com minha rata. Aaaah, os topolinos! Será que a vida dela é mais exitante naquela roda, o dia inteiro correndo, que a minha parado nesse ócio? Eu sei que sou um pequeno garoto problemático, sempre fui. Não mudei algumas coisas na minha vida quando adolescente e agora tô aqui me fudendo, transformando - se num adulto frustrado. Minha mãe sempre falava isso quando mais novo, é eu peguei a praga dela. Sábado e domingo são sempre assim: lembro de coisas que aconteceram comigo no arco da velha, às vezes choro, me olho no espelho. Ouvindo algumas músicas do Cure peguei me recordando da infância: Almoços no natal na casa da minha avó, visitas dos parentes que sempre apontavam o dedo na minha cara dizendo que eu era muito mimado - quase uma "mocinha". Lembro das poucas viagens, das festas de aniversário, dos meus finados gatos e cachorros. Eu também não prestava, sou de atacar minha família de frente. E sei que vou pagar por tudo isso, devo até já estar pagando. As lembranças assustam-me regadas à mágoas, todavia existem algumas gotas de carinho. Quando a minha parideira biológica "me deu" como se fosse um filhote de cão, foram o meu pai e minha mãe que acolheram aquele filhotinho desnutrido. Amá-los é o mínimo que eu posso fazer por essas duas pessoas maravilhosas que sempre estiveram do meu lado. Eu quem fui jogado podre nessa cesta. Porém, eles erraram muito. Ainda erram. Erramos bastante. A realidade é que vivo nesse caos pessoal por estarmos todos distantes emocionalmente. Lembro-me como se fosse ontem: Com 14 anos de idade tive síndrome do pânico, tomava calmantes manipulados. Tinha crises em qualquer lugar - escola, banco, supermercado, hospital - chorava muito, tinha medo. Mas não era de morrer, todavia tinha medo. De tudo. Minha mãe teve que pegar férias para me acompanhar e em uma madrugada numa dessas minhas crises psicológicas ela chorava junto comigo: "Por que você tem que ser assim esquisto? Os meninos da sua idade estão todos jogando bola." Essas duas falas dela perseguem - me até hoje, entretanto ao ouvir isso da boca dela eu via que tinha que mudar e acabei abandonando a medicação por conta própria. Esse é um lado meu que talves poucas pessoas conheçam. Sofri 2004 inteiro e no ano seguinte eu era outro. Não posso esquecer do meu pai que sempre me buscava na escola quando deparava-me em pranto. E hoje "curado", continuo esquisito e nem corro atrás de bola. Contudo, essa depressão que volta e meia insiste em repousar no "FDS" comigo. O mais engraçado é que eu vivo rindo, falando sacanagem. O ser humano adere máscaras para conquistar seu espaço na sociedade, no meu caso é espírito que é mascarado. Apesar de toda essa merda que eu penso, em alguns momentos sinto - me bem. Uma vez um conhecido disse que uma pessoa para alcançar a verdadeira felicidade deverá plantar uma árvore, ter um filho e escrever um livro. Olha, eu devo ter plantado algo na época de escola em alguma dessas semanas 'do meio ambiente', o filho uma dia eu adoto e o livro eu já estou escrevendo. Nossa vai ser muito foda o dia que eu publicar um livro meu, movido a esses conflitos. Enquanto isso não acontece contento - me com o que tenho: o meu rancor, meus sorrisos de plástico. Não vou perder a fé no topo por causa desses fins de semana desgraçados, eles só são detalhes. No próximo post uma noção básica de crônicas.

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